ALEXANDER GAVRYLYUK
O piano romântico

2 DE OUTUBRO 2022 - 21H00

Palácio Nacional de Queluz

 

Um recital constituído por obras de referencia do repertório romântico escrito para o instrumento-rei do romantismo, o piano, não é invulgar. Pelo contrário, vai ao encontro de um desígnio central de um festival que, de entre os vários objetivos que engloba, também se quer festivo, pleno de prazer pela musica, e que provoque um reencontro com as grandes obras do repertório que fidelizaram os públicos ao longo de gerações para a grande música intemporal.
É o caso do recital que Alexander Gavrylyuk nos traz ao Festival de Sintra, na senda da grande tradição pianística do Festival de Sintra, em que o pianista se apresenta em Portugal pela 1º vez.
O programa que apresenta no Festival de Sintra é ilustrativo do discurso romântico oitocentista em que o piano se impôs na prática e na fruição musicais como o incontestado instrumento-rei. Iniciando com a Sonata ao Luar de Beethoven (op. 27 n.º 2), entraremos no mundo do romantismo do início de oitocentos, quando o grande compositor começa a quebrar os muros do classicismo e a irromper a vida musical com uma visão poderosa e profundamente romântica que irá marcar a História da Musica ocidental. O início da sonata, misterioso, arpejado e quase improvisado valeu-lhe o título “ao luar” atribuído pelo poeta Ludwig Rellstab que a associou a um barco a balançar à Lua no lago de Lucerna. As peças de Chopin (Noturno op.27 nº2, Polonaise op. 40 nº 1) e de Liszt (Consolation nº3, Tarantelle) têm tanto de reflexivas (interiores) como de expressivas (exteriores) e refletem essa ambiguidade que convive com o homem romântico e que faz parte do seu estado de inquietude.
A segunda parte do recital avança para o final do século e início de XX, mas transporta nesse avanço a herança do romantismo, particularmente na Sonata de Rachmaninov, cuja comparação com a Sonata nº 2 de Chopin leva a crer tratar-se de um tributo à exemplaridade desta para a escrita pianística oitocentista. Será, pois, um encontro perfeito entre o génio criativo destes compositores e um intérprete superlativo.

Gabriela Canavilhas

PROGRAMA

I

Ludwig van Beethoven
Sonata n.º 14, em dó # menor: Quasi una fantasia, op. 27 n.º 2 (Sonata ao Luar, 1802)
I. Adagio sostenuto
II. Allegretto - Trio
III. Presto agitato

Frédéric Chopin
Noturno op.27 nº2 em ré b maior (1836)
Polonaise op. 40 nº 1, “Militar” (1838)

Franz Liszt
Consolation nº3, ré b maior, S.172 “Lento placido” (1849-50)
Tarantelle di bravura d'après la tarantelle de La muette de Portici, S.386 (1869)

II

Claude Debussy
Dois Arabescos (1890-91)
I. Andantino con moto
II. Allegretto scherzando

Sergej Rakhmaninov
Sonata para piano n º 2, em sib menor, op. 36 (1931)
I. Allegro agitato
II. Non allegro—Lento
III. L'istesso tempo—Allegro molto

ALEXANDER GAVRYLYUK

 Créditos Marco Borggreve

Pianista incrivelmente virtuoso, Alexander Gavrylyuk é conhecido internacionalmente pelas suas arrebatadoras e poéticas performances.
Gavrylyuk deu início à temporada 2017/18 com uma performance no BBC Proms do Concerto para Piano n.º 3 de Rachmaninov, descrita como “reveladora” pelo The Times e “arrebatadora” pela Limelight.
Destaques da temporada 2021/22 incluem estreias com as orquestras San Diego Symphony, Dallas Symphony, Bergen Philharmonic, Rheinische Philharmonie e Antwerp Symphony, assim como o regresso às orquestras Chicago Symphony, Sydney Symphony, New Mexico Philharmonic e Netherlands Philharmonic.
Nascido na Ucrânia em 1984 e com cidadania australiana, Alexander mudou-se para Sydney, onde viveu até 2006. Venceu o Primeiro Prémio e Medalha de Ouro na Horowitz International Piano Competition (1999), Primeiro Prémio na Hamamatsu International Piano Competition (2000) e Medalha de Ouro na Arthur Rubinstein International Piano Masters Competition (2005).
Desde então atuou com algumas das mais importantes orquestras do mundo, incluindo: New York, Los Angeles, Czech, Warsaw, Moscow, Seoul, Israel e Rotterdam Philharmonics; as orquestras NHK, Chicago, Cincinnati e City of Birmingham Symphony; Royal Concertgebouw Orchestra, Philharmonia, Wiener Symphoniker, Orchestre National de Lille e a Stuttgarter Philharmoniker; colaborando com maestros como Vladimir Ashkenazy, Alexandre Bloch, Herbert Blomstedt, Andrey Boreyko, Thomas Dausgaard, Valery Gergiev, Neeme Järvi, Vladimir Jurowski, Sebastian Lang-Lessing, Kirill Karabits, Louis Langrée, Cornelius Meister, Vassily Petrenko, Rafael Payare, Alexander Shelley, Yuri Simonov, Vladimir Spivakov, Markus Stenz, Sir Mark Elder, Thomas Søndergård, Gergely Madaras, Mario Venzago, Enrique Mazzola e Osmo Vänska.
Gavrylyuk participou em alguns dos principais festivais do mundo, incluindo Hollywood Bowl, Bravo! Vail Colorado, Mostly Mozart, Ruhr Festival, Kissinger Sommer International Music Festival e Gergiev Festival em Rotterdam. Atuou no Musikverein em Vienna, Tonhalle Zurich, Victoria Hall Geneva, Southbank Centre’s International Piano Series, Wigmore Hall, Concertgebouw Master Pianists Series, Suntory Hall, Tokyo Opera City Hall, Great Hall of Moscow Conservatory, Cologne Philharmonie, Tokyo City Concert Hall, San Francisco, Sydney Recital Hall e Melbourne Recital Centre.  
Alexander é Artista Residente na Chautauqua Institution, onde lidera o programa de piano como conselheiro artístico. Apoia várias instituições de solidariedade como a Theme and Variations Foundation, que tem por objetivo apoiar e encorajar jovens pianistas australianos, assim como a Opportunity Cambodia, que construiu uma escola para crianças cambojanas.
Alexander Gavrylyuk é um Artista Steinway.