Michael Nyman | Festival de Sintra
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12 e 13 de maio - 21h30
CENTRO CULTURAL OLGA CADAVAL

CONCERTO INAUGURAL

MICHAEL
NYMAN

MICHAEL NYMAN

CONCERTO INAUGURAL

Michael Nyman é uma das mais incontornáveis referências da música contemporânea, compositor de exceção com uma obra vasta e reconhecida. O pianista regressa agora ao nosso país para se apresentar a solo, um dos formatos com que tem recolhido maiores elogios ao longo dos anos.
O novo piano, o cinema, o minimalismo, uma visão diferente.

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MICHAEL NYMAN

MICHAEL NYMAN nasceu em Stratford, Londres a 23 de março de 1944 e estudou no Sir George Monoux Grammar School em Walthamstow. Frequentou a Royal Academy of Music de 1961-64 – estudos académicos com o Dr. Peter Fletcher, composição com Alan Bush e cravo com Geraint Jones. Entre 1964-67 Nyman foi aluno de Doutoramento no recém-formado departamento de música fundado por Thurston Dart no King’s College, em Londres, onde estudou música barroca inglesa e os princípios de edição académica, que lhe permitiram produzir a primeira edição moderna da obra de Purcell Catches (Stainer and Bell, 1967) e uma nova edição dos Concerti Grossi, Op.6 de Handel (Eulenberg, 1973). Seguindo uma recomendação de Thurstont Dart, Nyman passou o ano académico de 1965/6 como estudante de intercâmbio do British Council reunindo música folclórica na Roménia.

A meio da década de Sessenta, Nyman deixou de compor, em parte devido à sua associação com o denominado ‘Manchester School’ – Alexander Goehr, Peter Maxwell Davies e Harrison Birtwistle – que o levou, diretamente, a escrever o libretto para a ópera de Birtwistle Down by the Greenwood Side em 1969 e, indiretamente, através do musicólogo David Drew, que pertencia ao círculo de Goehr, a ser crítico musical da revista The Spectator em 1968. Foi nesse ano que ele, casualmente, usou pela primeira vez o termo ‘música minimal’ e ao longo dos 10 anos seguintes Nyman refletiu sobre e definiu uma certa corrente de pensamento de música contemporânea. (A maior parte das suas importantes críticas, artigos e entrevistas, de  The Spectator, New Statesman, The Listener e Studio International foram publicadas em Michael Nyman: Collected Writings, Ashgate, 2013). Em 1974, como resultado colateral do seu trabalho como jornalista, Nyman publicou o ainda-clássico livro sobre a nova música: Experimental Music: Cage and Beyond.

1976 foi um ano crucial na carreira de Nyman. Devido a uma encomenda de Birtwistle para escrever a música para Il Campiello, de Goldoni, a produção de abertura no National Theatre, regressou à composição e a Campiello Band tornou-se a base da Michael Nyman Band, que durante quase quatro décadas tem sido o laboratório para grande parte da sua música. Duas bandas sonoras compostas nesse ano podem agora ser vistas como simbolizando os polos populistas e estruturalistas da obra subsequente de Nyman: Keep It Up Downstairs de Robert Young e 1-100, de Peter Greenaway, cuja banda sonora não utilizada e substituída apareceu no disco Decay Music, da Obscure Records de Brian Eno. É escusado dizer que é a colaboração de Nyman com Greenaway como artistas/colegas, mais do que como realizador/compositor de banda sonora, que trouxe à ribalta a música de Nyman, desde The Draughtsman’s Contract de 1983 até Prospero’s Books, a sua última colaboração, do longínquo ano de 1991. Nyman trabalhou desde então com Patrice Leconte, Jane Campion (The Piano), Neil Jordan (The End of the Affair), Michael Winterbottom (Wonderland, The Claimed e A Cock And Bull Story e o cada vez mais pertinente Gattaca de Andrew Niccol, 1997.

Mais recentemente, o seu trabalho como compositor de bandas sonoras tem-se confinado aos filmes mudos dos finais dos anos 20: A Propos de Nice, de Jean Vigo, novas bandas sonoras para três filmes de Dziga Vertov – nomeadamente O Homem da Câmara de Filmar, O Onézimo e A Sexta Parte do Mundo – e, em 2011, O Couraçado de Potemkin. A maior parte do trabalho de Nyman, no entanto, foi escrita para as salas de concerto e palcos de ópera: uma série de óperas, iniciadas com The Man who Mistook his Wife for a Hat em 1986, passando por Facing Goya (2000) até Man and Boy: Dada (2003), cinco quartetos de cordas, oito concertos e, desde o final de 2012, tem estado a trabalhar sobre uma estrutura de 19 sinfonias.

Os seus dez ciclos de canções usam textos de Shakespeare, Neruda, Octavio Paz, Paul Celan, Milton, Sor Juana Ines de la Cruz e poetas ‘populares’ mexicanos, entre outros. Escreveu música para numerosos coreógrafos, entre os quais Lucinda Childs, Stephen Petronio, Karine Saporta e Shobana Jeyasingh. Tem ainda trabalhado com músicos para além das tradições ocidental, clássica e experimental, tais como a Orqestra Andalusi de Tetouan, Rajan e Sajan Misra, U. Shrinivas, Estrella Morente, Seijin Noborakawa, Ute Lemper, Evan Parker, Peter Brotzmann, Paolo Fresu, Mike Giles, the Flying Lizards, Dagmar Krause, Sting, Damon Albarn, David McAlmont e Alva Noto.

Nyman criou a sua primeira obra de arte não-musical em 1973 (uma edição limitada de um livro de artista, Bentham and Hooker, publicado pela Beau Geste Press de Felipe Ehrenberg) e o seu primeiro filme, Love Love Love (montado por Peter Greenaway ao som de All You Need Is Love em 1967.) Em 2008, publicou o seu primeiro livro de fotografia Sublime (Volumina Editions), e a sua primeira grande exposição de filme e de fotografia teve lugar no De La Warr Pavillion, Bexhill, em 2009. As suas cerca de oitenta curtas metragens, reunidas com o título Cine Opera, têm estado a aumentar a um ritmo mais ou menos diário desde 2008. Tem ainda colaborado com vários artistas contemporâneos, entre os quais George Brecht, Bruce McLean, Mary Kelly, Carsten Nicolai e Kultlug Ataman.

Em 2010 a sua primeira longa-metragem NYman with a Movie Camera teve a sua estreia no Toronto Film Festival. Trata-se de um projeto em curso em que todas as imagens do filme de Vertov, O Homem da Câmara de Filmar, são substituídas por imagens filmadas por Nyman numa base escrupulosamente rigorosa tanto em termos de assunto como de tempos. Uma instalação com onze écrans de NYman esteve em destaque no Edinburgh Festival e em Art Basel Miami em 2013, na Feira de Arte Zona Maco na Cidade do México em março de 2014 e na Tufts University em Boston de janeiro a maio de 2015.

2014 foi o ano das celebrações dos 70 anos de Nyman, que mantém o seu plano, elaborado em dezembro de 2012, de compor uma série de 19 sinfonias e estreou várias encomendas. Symphony No 11: Hillsborough Memorial, uma encomenda da Liverpool Biennial para comemorar o 25º aniversário do desastre de Hillsborough que foi estreada pela Royal Liverpool Philharmonic Orchestra na Catedral de Liverpool em julho de 2014, com a mezzo soprano Kathryn Rudge e o Liverpool Philharmonic Youth Choir, dirigida por Josep Vicent. Outras encomendas são Aztecs in Liverpool (uma peça visual acompanhando o Hillsborough Memorial); War Work baseada em imagens da Primeira Grande Guerra e Symphony No. 12: Habla de la ciudad estreada no Festival Internacional de Cervantino em Guanajuato, Mexico, a 12 de outubro para comemorar os 100 anos do nascimento de Octavio Paz.

A música de Michael Nyman tem sido editada pela Virgin, EMI, Decca, Warner Classics e Sony, sendo agora exclusivamente representada pela sua própria editora musical, a MN Records.